Unidade em Herleshausen deve empregar até 400 pessoas de forma permanente; revisão semanal das cobranças reflete a alta dos combustíveis.
Às margens da rodovia A4, na Alemanha, a Maersk começou a receber mercadorias em um novo centro logístico de 71,8 mil metros quadrados em agosto e, em setembro, iniciou a saída das cargas. No mesmo mês, a companhia reajustou as sobretaxas de combustível e energia do transporte terrestre em países nórdicos e bálticos, em resposta à alta dos preços e a interrupções no fornecimento que associa à situação no Oriente Médio.
As duas medidas afetam sua operação europeia: uma reforça a armazenagem e a distribuição de produtos; a outra altera o custo de determinados embarques.
O centro fica em Herleshausen, no estado de Hessen, dentro do Panattoni Park Bad Hersfeld Ost. Segundo o Container News, a unidade servirá à movimentação de mercadorias na Alemanha e ao envio de cargas para outros países europeus. Os produtos armazenados ali seguem para centros de entrega de um varejista on-line situados em diferentes mercados.
Dos 71,8 mil metros quadrados do complexo, 62,8 mil são destinados à armazenagem, 2,9 mil a escritórios e 6,1 mil a áreas de mezanino. A localização próxima à A4, corredor que atravessa a Alemanha no sentido leste-oeste, facilita a conexão com os destinos atendidos pela unidade.
A operação começou com cerca de 150 funcionários, e a Maersk está fazendo novas contratações. Quando o centro estiver em plena atividade, a empresa prevê entre 300 e 400 empregos permanentes. Entre outubro e dezembro, período de maior movimento do comércio eletrônico, o número de trabalhadores no local poderá chegar a mil.
Ole Trumpfheller, diretor-geral da Maersk para o Norte da Europa Continental, afirmou que a localização permite concentrar fluxos destinados à Alemanha e a países vizinhos. Segundo ele, a abertura também acompanha o crescimento da logística contratual da companhia e sua estratégia de integrar etapas da cadeia de transporte e distribuição.
Em outra frente da operação, a Maersk passou a aplicar, em 23 de setembro, novos percentuais da Emergency Inland Fuel and Energy Surcharge a embarques store-door nos mercados abrangidos. Nesse modelo, o serviço inclui a movimentação terrestre da carga até o destino. A cobrança é temporária, será revista semanalmente e permanecerá em vigor até novo aviso.
A maior sobretaxa é a da Estônia, de 20%. Na sequência vêm Letônia, com 18%; Dinamarca, com 14%; e Suécia, com 12%. Os percentuais são de 7% na Finlândia e 6% na Lituânia. A Noruega permanece sem a cobrança.
Em relação à semana anterior, os índices da Finlândia, da Lituânia e da Letônia subiram um ponto percentual. Os da Dinamarca, da Suécia, da Noruega e da Estônia não mudaram. De acordo com a Maersk, a medida responde ao aumento dos preços dos combustíveis e a interrupções no fornecimento relacionadas à situação no Oriente Médio. Serviços realizados com caminhões elétricos e por ferrovia estão isentos.
O novo armazém também reúne painéis solares, sistema de coleta de água da chuva e pontos de recarga para veículos elétricos. A companhia pretende obter para o empreendimento a certificação DGNB Gold, concedida a construções avaliadas por critérios de sustentabilidade.
FUP Explica
A abertura do centro de Herleshausen mostra a Maersk apostando na Alemanha como ponto de distribuição para o mercado europeu, o que faz sentido pela posição geográfica do país e pela proximidade com a A4. O fato de a unidade atender um varejista on-line e prever até mil trabalhadores no pico do fim de ano indica que a companhia está se posicionando para capturar o crescimento do e-commerce no continente, um segmento que exige armazenagem próxima ao consumidor final e entregas rápidas.
No lado das sobretaxas, a revisão semanal da Emergency Inland Fuel and Energy Surcharge é o ponto que merece atenção. Percentuais que variam de 6% a 20% dependendo do país, e que podem mudar toda semana, criam imprevisibilidade de custo para qualquer empresa que use o serviço store-door da Maersk nesses mercados. Quem exporta para ou importa dos países bálticos e nórdicos precisa monitorar esses índices com frequência, porque o custo do trecho terrestre pode oscilar de uma semana para outra sem aviso prévio além do próprio comunicado da transportadora. A isenção para caminhões elétricos e ferrovia é um detalhe relevante: abre espaço para que clientes com acesso a essas modalidades escapem da cobrança.
A justificativa da Maersk, que liga as interrupções no fornecimento de combustível à situação no Oriente Médio, sinaliza que a sobretaxa tende a permanecer enquanto o cenário regional não se estabilizar. Isso transforma o que é apresentado como medida temporária em um custo que pode se prolongar por meses, afetando o planejamento de quem opera rotas terrestres nesses países.