TCP e Brado inauguraram uma terceira linha para facilitar as manobras dos trens. As empresas esperam elevar em cerca de 20% o tráfego ferroviário até 2027.

Depois de oito meses de recorde nos embarques de contêineres refrigerados, o Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná, ganhou uma terceira linha ferroviária de acesso. Inaugurados em 1º de setembro pela TCP e pela Brado Logística, os 757 metros de novos trilhos criam mais espaço para manobras. Com a obra, as empresas buscam atender ao crescimento das cargas e esperam elevar em cerca de 20% o tráfego de mercadorias por ferrovia até 2027.

De janeiro a agosto de 2026, a TCP embarcou 93,7 mil contêineres refrigerados, 6% acima dos 88,4 mil registrados no mesmo período de 2025. Nesse intervalo, o volume exportado de carnes e congelados cresceu 12%, de 2,359 milhões para 2,635 milhões de toneladas.

A nova linha deve facilitar a circulação no pátio. Antes, o acesso operava com duas vias, e as composições de 82 vagões precisavam ser divididas em dois grupos durante a operação. A passagem também exigia duas interrupções no trânsito local, agora, com a terceira via, dois trens poderão permanecer em operação enquanto outro deixa a área.

A ferrovia já responde por parte dos embarques do terminal. Em 2025, a Brado transportou cerca de 52 mil dos 326,3 mil contêineres cheios exportados pela TCP, o equivalente a 16% do total. O corredor ferroviário atende regiões como Cascavel e Cambé, ligadas à produção de proteínas animais, e Ortigueira, polo de papel e celulose. O

O produto também lidera os embarques de carnes pela TCP. Nos oito primeiros meses de 2026, o terminal exportou 1,777 milhão de toneladas de carne de frango, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. China, Emirados Árabes Unidos e África do Sul foram os principais destinos, com participações de 12%, 9% e 8%, respectivamente.

A carne bovina ficou em segundo lugar, com 439 mil toneladas exportadas pelo terminal. Desse volume, 43% seguiram para a China, 13% para os Estados Unidos e 8% para a Rússia. Os embarques de carne suína, por sua vez, cresceram 48%, de 15,8 mil para 23,4 mil toneladas. Filipinas, Costa do Marfim e Libéria foram os principais compradores.

A demanda por transporte acompanha o peso das proteínas animais na economia paranaense. Segundo os dados apresentados pela DataPortuaria, o estado responde por quase 35% da produção brasileira de frango e ocupa o segundo lugar na produção suína. A nova linha deve dar mais capacidade à ligação entre as regiões produtoras e o porto.

Além do acesso ferroviário, a TCP dispõe de 5.280 tomadas para contêineres refrigerados e prevê chegar a cerca de 6 mil em 2027, após a conclusão das obras planejadas. O terminal conta ainda com 22 linhas marítimas regulares por semana, entre serviços internacionais e de cabotagem.

FUP Explica

O que esta notícia mostra, no fundo, é uma aposta de infraestrutura feita em cima de um ciclo de exportação que ainda está em expansão. O crescimento de 21% nos embarques de frango e de 48% na carne suína nos oito primeiros meses de 2026 não é trivial: são volumes que pressionam a capacidade operacional de um terminal, e a resposta veio na forma de mais trilhos, não de mais caminhões. Isso importa porque a ferrovia tende a ser mais eficiente em custo por tonelada para cargas de alto volume, e ampliar essa via reduz a dependência do modal rodoviário, que é mais sensível a greves, pedágios e condições de malha.

Para os exportadores de proteínas animais do Paraná, a ampliação da capacidade ferroviária pode significar menos gargalo operacional nos picos de embarque, especialmente em períodos de alta demanda dos mercados asiáticos. A China aparece como principal destino tanto do frango quanto da carne bovina, o que torna o terminal vulnerável a qualquer oscilação nas relações comerciais ou sanitárias com aquele mercado. A retomada dos embarques após as restrições sanitárias de 2025 explica parte do salto nos números atuais, mas também indica que o crescimento pode ser parcialmente cíclico, não apenas estrutural.

No médio prazo, a meta de elevar em cerca de 20% o tráfego ferroviário até 2027, combinada com a expansão das tomadas para contêineres refrigerados, sinaliza que TCP e Brado apostam na continuidade desse ciclo. Se a demanda externa se mantiver, a infraestrutura ampliada pode consolidar Paranaguá como o principal corredor de exportação de proteínas refrigeradas do sul do Brasil. Se houver retração, o investimento feito agora ainda assim reduz o custo operacional de longo prazo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *