Um contêiner com 109 sacos de aletas de tubarão foi retido no Porto de Manzanillo, no Panamá, em 16 de agosto de 2026. A carga estava em trânsito com destino à Malásia quando foi interceptada durante operações de fiscalização ambiental, segundo o Portal Portuario e o Ministerio de Ambiente de Panamá.
A irregularidade que motivou a apreensão foi a declaração falsa da mercadoria perante as autoridades aduaneiras. O carregamento foi registrado como “buche de pescado”, expressão em espanhol para bexiga natatória de peixe, quando na verdade continha aletas de tubarão. Essa prática de ocultar a verdadeira natureza do produto é recorrente em tentativas de contrabando de espécies protegidas.
A apreensão resultou de ação coordenada entre múltiplos órgãos panamenhos. O Equipo Multidisciplinario Especializado Ambiental (EME-Ambiental) liderou a operação, com participação da Dirección de Investigación Policial (DIP), da Autoridad de los Recursos Acuáticos de Panamá (Arap) e do próprio Ministerio de Ambiente.
O Panamá mantém cota zero para qualquer espécie de tubarão listada na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), o que proíbe a extração, movimentação e comércio de produtos derivados de tubarões protegidos, independentemente da forma em que se apresentem.
Além disso, a Lei 9 panamenha proíbe o aleteo de tubarões, prática que consiste em remover apenas as aletas do animal e descartar o restante da carcaça no mar.
Investigação administrativa e penal
O caso segue sob investigação, sem data definida para conclusão. O Ministerio de Ambiente é responsável pela identificação técnica do material apreendido: especialistas trabalham para determinar quais espécies estão presentes nos sacos e se estão protegidas pela CITES.
Após a conclusão dessa etapa, o Ministerio de Ambiente avançará com procedimento administrativo sancionador, conforme a normativa vigente e os resultados da investigação. Em paralelo, o caso será encaminhado à Fiscalía Superior Especializada en Delitos Ambientales do Ministerio Público para investigação penal e apuração de responsabilidades. A carga permanece retida no porto aguardando o prosseguimento dos procedimentos administrativos e penais.
FUP Explica
O caso chama atenção por revelar como a falsificação de documentação aduaneira é usada para disfarçar cargas de espécies protegidas em rotas de transbordo. Declarar aletas de tubarão como bexiga natatória de peixe é fraude documental com implicações penais e aduaneiras simultâneas, o que complica bastante a situação de quem embarcou ou organizou o transporte.
O Porto de Manzanillo funciona como ponto de passagem para cargas entre diferentes regiões do mundo, e justamente por isso é alvo de fiscalização mais intensa. A rota em direção à Malásia aponta para mercados asiáticos, onde a demanda por aletas de tubarão persiste apesar das restrições internacionais crescentes. Isso indica que a operação não era oportunista: 109 sacos sugerem escala comercial, não consumo doméstico.
Para quem opera no comércio internacional, o episódio reforça um ponto que não deveria precisar de reforço: a descrição da mercadoria na documentação aduaneira precisa ser exata.
Declaração incorreta, mesmo que não envolva espécie protegida, pode travar uma carga em porto de trânsito, gerar multa administrativa e abrir investigação penal. Quando o produto é de origem animal e sujeito a convenções internacionais como a CITES, o risco é ainda maior, porque os controles ambientais e aduaneiros se sobrepõem.