Em passagem por Manaus a dez dias do primeiro turno, candidato do Avante também apresentou propostas para queimadas, educação, saúde e economia e voltou a criticar a polarização política
A dez dias do primeiro turno das eleições, Augusto Cury (Avante) desembarcou em Manaus com promessas direcionadas a algumas das principais pautas do Amazonas. Em encontro de campanha realizado na noite de quinta-feira (24), na sede estadual do partido, no bairro Flores, o candidato à Presidência prometeu preservar a Zona Franca de Manaus, asfaltar a BR-319 no primeiro ano de um eventual governo e buscar tecnologias e recursos para combater o desmatamento.
Ao lado de candidatos e dirigentes do Avante, Cury também apresentou propostas para educação, saúde e economia e defendeu a redução da polarização política no país.
Entre os compromissos apresentados, a BR-319 ganhou prazo. Segundo o Amazonas Atual, Cury afirmou que pretende asfaltar a rodovia, que liga Manaus a Porto Velho, no primeiro ano de governo caso seja eleito. Apesar da promessa, o candidato não detalhou custos, etapas ou medidas necessárias para executar o projeto. “É tempo de nós pacificarmos essa nação com grandes projetos, inclusive asfaltando a BR-319 no primeiro ano de governo”, declarou.
A manutenção da Zona Franca de Manaus também esteve entre os compromissos apresentados durante a passagem pela capital amazonense. De acordo com o Rios de Notícias, Cury afirmou que pretende preservar o modelo e garantiu que sua proposta de criar zonas de exportação em outras regiões do país não substituiria os incentivos existentes no Amazonas.
Segundo o candidato, essas novas áreas teriam impostos menores, processos de licenciamento mais rápidos e apoio tecnológico para estimular a produção destinada ao mercado externo. Pará, Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, além de estados do Sul, foram citados entre os locais que poderiam receber as estruturas.
As queimadas e a fumaça que atingem o Amazonas também entraram no discurso. Questionado sobre o problema, Cury afirmou que, caso ele e David Almeida sejam eleitos para os governos federal e estadual, respectivamente, buscariam estratégias e tecnologias para conter o desmatamento.
O presidenciável mencionou ainda a possibilidade de recorrer a fundos internacionais para proteger a floresta e citou possíveis efeitos do El Niño, mas não apresentou medidas específicas para enfrentar os incêndios registrados atualmente no estado.
Além das pautas regionais, o candidato apresentou propostas para outras áreas. Na educação, defendeu a expansão das escolas em tempo integral, medida que relacionou à redução da exposição excessiva de jovens a celulares e drogas. Para a saúde, prometeu estender a telemedicina como forma de facilitar o acesso a especialistas, principalmente para moradores de áreas afastadas. Na economia, afirmou que pretende estimular o financiamento de milhões de microempresas nos próximos anos.
Cury também defendeu mandatos de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), proposta que dependeria de alteração constitucional aprovada pelo Congresso Nacional. Durante o evento, voltou a criticar a polarização política e afirmou que pretende dialogar com diferentes campos políticos caso seja eleito.
A passagem por Manaus ocorreu na reta final da campanha para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Em entrevista durante o evento, Cury disse acreditar que chegará à segunda etapa da disputa. A afirmação expressa a expectativa do próprio candidato sobre o desempenho eleitoral.
O encontro reuniu ainda David Almeida, candidato ao Governo do Amazonas; Shádia Fraxe, candidata a vice-governadora; e o presidente nacional do Avante, deputado federal Luís Tibé. Ao concentrar o discurso em temas como Zona Franca, BR-319, queimadas e infraestrutura, Cury direcionou parte de sua agenda de campanha em Manaus a questões diretamente relacionadas ao estado.
FUP Explica
A visita de Cury a Manaus ilustra bem a lógica eleitoral em torno do Amazonas: qualquer candidato com pretensão nacional precisa se posicionar sobre a Zona Franca, porque o modelo concentra empregos formais e arrecadação num estado que, sem ele, teria uma base econômica muito mais frágil. A promessa de preservar os incentivos e, ao mesmo tempo, criar zonas de exportação em outros estados é uma tentativa de agradar o eleitorado amazonense sem fechar portas com outras regiões, mas a coexistência dos dois modelos dependeria de decisões orçamentárias e legislativas que o candidato não detalhou.
A BR-319 carrega um peso político e econômico considerável: a rodovia sem pavimentação completa isola Manaus do restante do país por via terrestre e encarece o escoamento de produção. Prometer asfaltá-la no primeiro ano de governo é um compromisso de alto custo e complexidade logística, e a ausência de qualquer detalhe sobre financiamento ou etapas torna a promessa difícil de avaliar. No campo ambiental, a menção a fundos internacionais para conter o desmatamento é uma sinalização de postura, mas sem medidas concretas anunciadas, o discurso fica no plano das intenções.
A proposta de mandatos fixos de oito anos para ministros do STF toca num debate institucional sensível: alteraria o equilíbrio entre os poderes e exigiria aprovação de emenda constitucional no Congresso, o que não é trivial. No conjunto, a agenda de Manaus mostra um candidato tentando construir uma plataforma de centro que dialogue com pautas regionais, desenvolvimento econômico e redução de tensão política, mas com pouco detalhamento sobre como executaria cada compromisso.