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EUA reforçam estrutura militar no Pacífico com porto de US$ 500 milhões em Palau
Comércio Exterior

Imagem: NeresiGezilir

EUA reforçam estrutura militar no Pacífico com porto de US$ 500 milhões em Palau

25/09/2026 · 1244 palavras

Projeto prevê receber navios da Marinha americana e reforçar a estrutura militar no arquipélago a partir de 2027, enquanto moradores questionam riscos de segurança e impactos ambientais

A cerca de 800 quilômetros do Mar do Sul da China, o pequeno arquipélago de Palau deve assumir um papel maior na estrutura militar dos Estados Unidos no Pacífico a partir de 2027. Washington vai investir US$ 500 milhões na reconstrução e expansão do principal porto do país, em Koror, para receber navios da Marinha americana e dar suporte às operações militares na região. Ao mesmo tempo, o projeto desperta preocupação entre moradores, que temem que a presença dos EUA torne o território mais vulnerável em um eventual conflito entre grandes potências, além dos possíveis danos ambientais provocados pelas obras.

A intervenção prevê reconstruir um cais deteriorado, erguido originalmente pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, e aprofundar o porto para permitir a entrada de embarcações militares de maior porte. Segundo o Arab News, o investimento integra um conjunto de projetos americanos em Palau que inclui a instalação de um radar militar, a adaptação de uma pista para aeronaves pesadas e a formação de um estoque de suprimentos preparado para situações de crise envolvendo os fuzileiros navais dos Estados Unidos.

Com cerca de 17 mil habitantes, Palau mantém com Washington um Compacto de Livre Associação, pelo qual recebe recursos dos Estados Unidos e concede às Forças Armadas americanas acesso ao seu território.

A nova estrutura portuária representa a primeira grande obra militar realizada no país dentro desse acordo e reforça a posição do arquipélago na chamada segunda cadeia de ilhas do Pacífico, área considerada estratégica nos cálculos militares envolvendo Estados Unidos e China.

Esse avanço, no entanto, provocou questionamentos dentro do país. Cerca de 2 mil moradores assinaram uma petição encaminhada ao Congresso de Palau pedindo garantias de Washington sobre como a população seria protegida caso um conflito chegasse ao arquipélago. Ao The Japan Time*, Madelsar Ngiraingas, organizadora de uma reunião comunitária sobre o projeto, afirmou que muitos palauanos não são contrários à presença militar americana ou às obras, mas defendem mais diálogo sobre os possíveis efeitos da iniciativa.

Ongerung Kambes Kesolei, fundador do centro de estudos local Congress Point Institute, relacionou essa preocupação à posição estratégica de Palau no Pacífico. “Com os militares dos EUA chegando, agora somos um alvo”, afirmou. Segundo ele, o papel do arquipélago na segunda cadeia de ilhas ganhou maior importância à medida que Washington reforça sua presença militar na região.

As obras também enfrentam resistência por seus possíveis efeitos ambientais. Uma avaliação de impacto apontou que a dragagem do porto de Malakal deverá causar a perda de 4,26 hectares de corais e poderá afetar tartarugas ameaçadas, peixes e dugongos. O projeto fica próximo de lagoas reconhecidas como Patrimônio Mundial, enquanto cientistas, lideranças tradicionais e operadores turísticos demonstram preocupação com a dispersão de sedimentos e as perturbações à fauna marinha.

O biólogo Ron Leidich, que monitora grupos de dugongos na região, questiona se as medidas previstas serão suficientes para proteger o ecossistema durante a construção. Ele avalia que atividades como a instalação de estacas e a dragagem de corais podem afastar os animais das áreas onde atualmente se alimentam.

Apesar das preocupações, o governo de Palau sustenta que a reforma é necessária. O presidente Surangel Whipps afirmou que o porto antigo estava “prestes a desabar” e defendeu que a nova estrutura poderá atender tanto às necessidades da população quanto aos objetivos de defesa. A força-tarefa americana na Micronésia, por sua vez, afirma que o projeto permitirá receber embarcações comerciais maiores e dará aos Estados Unidos novas opções logísticas para operações de segurança regional.

Os planos incluem ainda um armazém de acesso restrito de aproximadamente 929 metros quadrados, destinado a equipamentos da Marinha americana. Assim, uma obra apresentada também como forma de modernizar a infraestrutura comercial de Palau deve inserir o arquipélago de maneira mais profunda na rede logística e militar dos Estados Unidos no Pacífico, enquanto autoridades e moradores discutem como conciliar os ganhos de infraestrutura com os riscos ambientais e de segurança associados à crescente presença militar na região.

FUP Explica

O investimento americano no porto de Palau é, antes de tudo, um movimento geopolítico. A segunda cadeia de ilhas do Pacífico funciona como uma linha de contenção no planejamento militar dos EUA em relação à China, e Palau ocupa um ponto sensível nessa cadeia. Ao transformar um porto civil deteriorado em infraestrutura capaz de receber navios de guerra, Washington consolida uma presença física que vai muito além do que o Compacto de Livre Associação previa até agora. Para o governo americano, o custo de US$ 500 milhões é relativamente baixo diante do que representa em termos de posicionamento na região.

Para Palau, a equação é mais complicada. O país tem 17 mil habitantes, depende financeiramente dos EUA e não tem capacidade militar própria. A petição com 2 mil assinaturas, num país desse tamanho, representa uma parcela expressiva da população adulta e sinaliza que o debate interno é real, não marginal. A preocupação central dos moradores, expressa publicamente por lideranças locais, é que a presença militar americana transforme o arquipélago em alvo prioritário num eventual conflito, sem que a população tenha qualquer garantia concreta de proteção. Essa tensão entre dependência econômica e risco de segurança tende a se aprofundar conforme as obras avançam.

Na dimensão ambiental, os números da avaliação de impacto são concretos: mais de quatro hectares de corais perdidos e risco para espécies ameaçadas, tudo isso próximo a lagoas com reconhecimento de Patrimônio Mundial. O turismo é uma das bases da economia local, e qualquer degradação visível do ecossistema marinho pode afetar diretamente essa fonte de renda. A discussão sobre se as medidas de mitigação previstas são suficientes ainda está aberta, e o biólogo que monitora os dugongos na área levanta dúvidas que o projeto, até agora, não respondeu de forma satisfatória.

As obras também enfrentam resistência por seus possíveis efeitos ambientais. Uma avaliação de impacto apontou que a dragagem do porto de Malakal deverá causar a perda de 4,26 hectares de corais e poderá afetar tartarugas ameaçadas, peixes e dugongos. O projeto fica próximo de lagoas reconhecidas como Patrimônio Mundial, enquanto cientistas, lideranças tradicionais e operadores turísticos demonstram preocupação com a dispersão de sedimentos e as perturbações à fauna marinha.

O biólogo Ron Leidich, que monitora grupos de dugongos na região, questiona se as medidas previstas serão suficientes para proteger o ecossistema durante a construção. Conforme destacou o Caliber.Az, ele avalia que atividades como a instalação de estacas e a dragagem de corais podem afastar os animais das áreas onde atualmente se alimentam.

Apesar das preocupações, o governo de Palau sustenta que a reforma é necessária. O presidente Surangel Whipps afirmou que o porto antigo estava “prestes a desabar” e defendeu que a nova estrutura poderá atender tanto às necessidades da população quanto aos objetivos de defesa. A força-tarefa americana na Micronésia, por sua vez, afirma que o projeto permitirá receber embarcações comerciais maiores e dará aos Estados Unidos novas opções logísticas para operações de segurança regional.

Os planos incluem ainda um armazém de acesso restrito de aproximadamente 929 metros quadrados, destinado a equipamentos da Marinha americana. Com isso, uma obra apresentada também como forma de modernizar a infraestrutura comercial de Palau deve inserir o arquipélago de maneira mais profunda na rede logística e militar dos Estados Unidos no Pacífico, enquanto autoridades e moradores discutem como conciliar os ganhos de infraestrutura com os riscos ambientais e de segurança associados à crescente presença militar na região.