BLUE CARRIER 2 transportava 166 caminhões e 29 carros quando as chamas começaram em uma das garagens; autoridades investigam se um veículo de carga pode ter iniciado o fogo
Um incêndio em uma das garagens do navio de carga BLUE CARRIER 2 mobilizou uma operação de emergência no Mar Egeu na manhã desta sexta-feira (25), enquanto a embarcação navegava ao norte da ilha de Mykonos, na Grécia. As 29 pessoas a bordo — 28 tripulantes e um motorista de caminhão — foram retiradas em segurança e levadas para a ilha de Tinos, enquanto barcos de combate a incêndio, embarcações da Guarda Costeira, rebocadores e aeronaves foram enviados para conter as chamas.
O navio transportava 166 caminhões e 29 carros, e as autoridades investigam se um dos veículos de carga pode ter dado origem ao fogo. Até o momento, não há registro de mortos ou feridos.
A Attica Ferries informou que o incêndio começou às 8h57, no horário local, durante uma viagem regular. Assim que as chamas foram identificadas, a tripulação acionou os procedimentos de segurança, tentou controlar o fogo com os equipamentos disponíveis na embarcação e comunicou as autoridades. O incêndio teria começado na garagem número quatro, mas a causa ainda não foi confirmada.
Enquanto a fumaça avançava por partes do navio, integrantes da tripulação tentaram combater as chamas antes da retirada dos ocupantes. Todas as 29 pessoas deixaram a embarcação em botes salva-vidas e foram posteriormente recolhidas por outros navios, que as transportaram até Tinos. Com todos fora do BLUE CARRIER 2, os esforços passaram a se concentrar no controle do incêndio, na condição da embarcação e na prevenção de possíveis impactos ambientais.
A operação reuniu diferentes recursos de emergência. Em um primeiro momento, pelo menos cinco embarcações da Guarda Costeira, dois barcos rápidos de combate a incêndio vindos de Syros e Lavrio e uma embarcação do serviço de bombeiros de Pireu foram mobilizados. Até o momento da apuração, ainda não estava claro se as chamas haviam alcançado outras áreas do navio.
Ao longo da manhã, rebocadores, embarcações particulares, um helicóptero e aeronaves de vigilância também passaram a acompanhar a ocorrência. Entre os recursos deslocados estava o AIGAION PELAGOS, rebocador de salvamento com cerca de 70 metros de comprimento e capacidade para atuar no combate a incêndios e em operações de resgate. A mobilização continuou mesmo depois da retirada dos ocupantes, enquanto as equipes trabalhavam para controlar a situação.
O Greek Reporter informou que pessoal especializado da Guarda Costeira também foi enviado para a região e que as autoridades continuavam monitorando a embarcação. Construído em 1997, o BLUE CARRIER 2 tem aproximadamente 162,5 metros de comprimento e opera sob bandeira grega.
Com arqueação bruta de 23.986 toneladas e capacidade para 2.307 metros lineares de carga, o navio foi construído pela Kawasaki, no Japão, originalmente com o nome CLEMENTINE. A Attica Group comprou a embarcação da CLdN em março de 2023 por € 13,4 milhões e, inicialmente, manteve o navio afretado à antiga proprietária. Em janeiro de 2024, a embarcação recebeu o nome BLUE CARRIER 2 e passou a operar no transporte doméstico de cargas na Grécia sob a marca Blue Star Ferries.
Após a evacuação, a Attica Group informou que contratou empresas especializadas para auxiliar na proteção ambiental e na gestão da embarcação, em coordenação com as autoridades gregas. Paralelamente ao trabalho das equipes de emergência, investigadores tentam determinar a origem das chamas e verificar se um dos caminhões transportados no navio esteve envolvido no início do incêndio. Até agora, essa possibilidade permanece sob investigação.
FUP Explica
O incêndio no BLUE CARRIER 2 expõe um risco bem conhecido no transporte marítimo de veículos: navios Ro-Ro carregam combustível nos tanques dos próprios veículos embarcados, o que torna qualquer foco de incêndio num convés de carga potencialmente difícil de controlar e rápido para se alastrar. A investigação sobre se um dos caminhões deu origem às chamas é relevante porque, dependendo do resultado, pode pressionar armadores e autoridades portuárias a revisar protocolos de inspeção de carga antes do embarque, especialmente para veículos pesados.
Do ponto de vista operacional e econômico, a Attica Group enfrenta a perda temporária ou permanente de uma embarcação adquirida em março de 2023 por € 13,4 milhões, além dos custos das empresas especializadas contratadas para gestão da crise e proteção ambiental. O impacto no transporte doméstico de cargas na Grécia depende da extensão dos danos, que ainda não foi divulgada. Por outro lado, a evacuação bem-sucedida das 29 pessoas a bordo, sem mortos ou feridos, indica que os procedimentos de segurança funcionaram dentro do esperado, o que tende a ser considerado pelas autoridades na avaliação do caso.
A preocupação ambiental com o Mar Egeu também é real: um navio desse porte, carregado com mais de 190 veículos, representa risco de vazamento de combustível e fluidos em caso de afundamento ou perda de controle da embarcação. O fato de a Attica Group ter acionado empresas especializadas em proteção ambiental logo após a evacuação sugere que esse risco foi reconhecido desde o início da operação.