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Montadoras chinesas correm para comprar fábricas na Europa antes de novas regras
Comércio Exterior

Imagem gerada por IA

Montadoras chinesas correm para comprar fábricas na Europa antes de novas regras

18/09/2026 · 690 palavras

Montadoras chinesas estão buscando fábricas existentes e linhas de produção subutilizadas na Europa para acelerar a produção de veículos no continente diante das futuras regras de conteúdo local da União Europeia, segundo reportagem da Reuters publicada nesta quinta-feira (17). As normas do chamado “Made in Europe” ainda estão em elaboração e podem ser introduzidas já em 2027.

A BYD está entre as fabricantes que procuram instalações. Alfredo Altavilla, consultor europeu da montadora, afirmou à Reuters que a empresa avalia fábricas em diferentes países e considera Espanha e França as opções mais viáveis para uma nova unidade. Um dos principais critérios é o custo necessário para reformar as instalações existentes.

“Temos que encontrar algo para comprar agora e restaurá-lo com relativamente pouco dinheiro… rapidamente”, afirmou Altavilla durante a inauguração de uma concessionária da Denza, marca da BYD, em Turim, na Itália, na noite de quarta-feira (16).

O executivo disse que visita fábricas em diferentes países europeus e que a BYD mantém uma equipe dedicada a estudos de viabilidade das instalações consideradas pela companhia. Após o evento em Turim, Altavilla afirmou que viajaria ao Reino Unido para visitar outra unidade.

A BYD está na fase inicial de produção de sua primeira fábrica europeia de automóveis, localizada na Hungria, e pretende escolher até o fim de 2026 o local de uma segunda unidade no continente. A fabricante deverá contar, futuramente, com três fábricas de montagem e uma unidade de baterias na Europa.

Além de Espanha e França, outros países continuam sendo avaliados. Altavilla afirmou que a Itália passou a ser uma alternativa secundária porque a Stellantis não pretende vender fábricas no país.

Outras fabricantes chinesas já estabeleceram acordos para utilizar linhas de produção em fábricas europeias subutilizadas. Segundo a Reuters, Leapmotor e Dongfeng fecharam acordos com a Stellantis para produção na Espanha e na França, respectivamente. A Geely estabeleceu acordo com a Ford na Espanha, enquanto a Chery se associou a um parceiro local para assumir uma antiga fábrica da Nissan no país.

A BYD pretende seguir um modelo diferente. Aempresa busca adquirir uma fábrica existente e reformá-la para acelerar o início da produção local.

União Europeia prepara regras de conteúdo local

A União Europeia trabalha na elaboração das regras do “Made in Europe”, que deverão estabelecer limites mínimos de conteúdo local para veículos elétricos comercializados no bloco. Segundo a Reuters, as normas ainda estavam em desenvolvimento em 17 de setembro de 2026 e poderiam ser introduzidas já em 2027.

FUP Explica

O que está em curso na Europa é uma corrida contra o relógio regulatório. As montadoras chinesas sabem que, uma vez que as regras de conteúdo local entrem em vigor, importar carros prontos da China e vendê-los na UE ficará muito mais caro ou simplesmente inviável. Produzir localmente é a saída, e comprar uma fábrica ociosa é muito mais rápido do que erguer uma planta nova.

Por isso a disputa por ativos industriais subutilizados, que até pouco tempo atrás eram passivo para grupos como Stellantis e Nissan, virou uma corrida com múltiplos compradores interessados ao mesmo tempo.

Para a indústria europeia, o movimento tem dois lados. De um lado, as montadoras tradicionais conseguem monetizar fábricas que estavam paradas ou subutilizadas, o que alivia pressão financeira em um setor que enfrenta transição cara para o elétrico. De outro, as chinesas que se instalarem na Europa com produção local vão competir diretamente com as europeias no mesmo mercado, com a vantagem de dominar a cadeia de baterias e ter escala industrial consolidada.

A regra de conteúdo local foi pensada para proteger a indústria europeia, mas pode acabar acelerando a entrada das chinesas no coração produtivo do continente.

No plano geopolítico, o cenário é de dois blocos ocidentais, Europa e EUA, usando barreiras regulatórias distintas para conter a expansão chinesa, mas sem coordenação entre si. A tarifa americana de 25% sobre carros europeus e a regulamentação Biden sobre veículos conectados criam obstáculos adicionais que tornam a Europa o campo de batalha mais acessível para as chinesas no curto prazo.

Quem fechar os acordos de produção antes da entrada em vigor das regras europeias sai na frente, e é isso que explica a velocidade com que esses movimentos estão acontecendo agora.